quinta-feira, 9 de junho de 2016

Como tu não há ninguém

Tu. Só tu. Eu. Nós. Não há nada mais ao nosso redor, só nós dois. E agora pergunto-te, estás feliz? Não quero rodeios, quero apenas um sim ou não. Olha-me nos olhos e diz-me! Estás feliz?!
Não é fácil escrever para ti, é que, por um lado, sinto que já te disse tudo, por outro sinto que nunca te disse o suficiente para que veja nos teus olhos a certeza do meu sentimento por ti. Há muito que não escrevo, e que esta casa, onde todas estas letras moram, não sabe do meu paradeiro, por isso peço-te que compreendas o quão difícil é para mim, voltar a escrever. Não foi uma decisão fácil, voltar às letras quando o tempo me corre por entre os dedos e a paciência é a mínima, mas tu mereces. No fundo, tu mereces bem mais.
Acordei, um dia, e sem cair na realidade estávamos juntos, éramos um do outro sem o sermos. Ainda mal tinha caído em mim e ouvia o teu "amo-te", ouvia-te dizer que não me querias perder e que era tudo para ti. Ainda sem me encontrar consciente da situação, deixei-me ir, dei-te a mão e juntos caímos no desconhecido. Nenhum de nós queria isto, mas algo nos dizia que deveríamos avançar rumo ao incerto, algo nos disse para unirmos as nossas forças e arriscar. A cada dia que corria, colocávamos mais um tijolo na nossa construção, e a cada momento amargo, era esse que víamos cair, até ao dia em que decidimos parar de destruir a nossa parede, aquela que um dia fará parte do nosso castelo encantado. De facto, já lá vão uns meses desde que tudo começou, e confesso que os sinto a passar por mim tal e qual um furacão: rápido e devastador. Desde o início nada foi fácil, não houve nenhum mar de rosas, muito menos a chamada "lua d'mel", mas tu sabes, tão bem quanto eu que sempre preferi um início atribulado e uma vida estável, ao invés de um começo feito de gomas e rebuçados com um fim previamente marcado.
Agora, acordo, por várias vezes a teu lado e faço questão de te admirar. Sim, eu olho-te com admiração, como uma criança olha as orelhas de um elefante a primeira vez que o vê. Sim, eu olho-te, com toda a doçura do mundo, como se fosses um rebuçado gigante. Sim, eu olho-te como uma criança olha o seu peluche, com todo o carinho possível e imaginário. Sim, eu olho-te com os olhos de uma criança que tem medo do escuro e do bicho papão. Sim, eu olho-te com a certeza de que estou segura. Sim, eu olho-te ao acordar e penso: "nunca alguém poderia ter vindo em teu lugar, muito menos ocupá-lo". E é por estes pequenos detalhes que eu tenho medo, medo que não sejas feliz comigo como eu sou contigo, medo de acordar e estares noutros braços, medo de te ver partir, medo de, um dia, acordar e me dizerem "tudo isso que viveste não passou de um sonho". É que sabes, tudo isto é um sonho, mas aquilo que mais quero é que seja sempre real.
"És feliz comigo? No dia em que não o fores diz, eu afasto-me.", lembras-te? Foste tu quem o disse! Mas acho que nunca te respondi convenientemente, adoro rodeios e nunca fui muito boa com as palavras (aquelas que ganham vida e saem da boca para fora, porque estas que eu controlo, meu querido, são as minhas melhores amigas). Lembras-te da primeira vez que me deste a mão? E do nosso primeiro beijo, lembras-te? E da primeira vez que disseste que me amavas, com aquele teu brilho no olhar? Lembras?! Eu lembro... De cada detalhe, de cada simples pormenor, de cada vírgula que já colocámos no nosso livro, simplesmente de tudo!
Sabes aquelas vezes em que entrelaças os teus dedos nos meus, ou aquelas vezes em que me dás um beijo na testa? Sabes todas aquelas vezes em que me abraças, ou todas aquelas em que dizes que me amas? E aquelas em que me beijas, também sabes? É que, talvez nunca tenhas notado, mas de cada vez que o fazes, o meu coração foge ao meu controlo, decide enlouquecer e corresponder, mais do que nunca, ao teu. Sim, meu amor, eu sempre fui muito atenta ao teu coração, é que sempre me disseram "quando se ama, o coração bate mais rápido" e, desculpa-me, mas eu confio no teu coração.
Sei que não sou a melhor pessoa do mundo, que sou tudo menos fácil de lidar, que é preciso um gigantesco pote de paciência para me conseguires aguentar (não te estejas já a rir, sabes bem que nestes aspectos somos tal e qual!), mas que estarei sempre aqui para ti é algo que nunca podes duvidar, muito menos podes duvidar do quanto te amo. Eu sei que o início não foi fácil, que tivemos medo do passado, de ambos, mas o meu presente é contigo e quero que o futuro também o seja. E, meu querido, medo do passado não existe mais, porque neste momento já somos um pouco do passado um do outro: o único passado. Tudo o que aconteceu antes de estarmos juntos não existe mais. É um começar do zero, é um apagar de memórias, um adeus definitivo a tudo aquilo que se encontra no fundo do oceano. E não te esqueças, nunca, nem por um segundo, eu amo-te como uma criança ama o seu ursinho de peluche, aquele que ela não hesita em aconchegar antes de adormecer, aquele que, se um dia perder, não terá substituição possível. Porque eu, meu amor, olho-te com o mesmo olhar de uma criança que acabou de encontrar o seu primeiro amor, aquele que ela irá sempre dizer que é para a vida toda, aquele que a irá marcar e ela nunca irá esquecer. Porque eu, meu amor, sou como uma criança que aprendeu a amar e que vai querer dar-te sempre a mão, como fazem aqueles "namoradinhos" do jardim de infância. E tu sabes (ou devias saber), que eu sou a criança com medo do escuro que precisa da tua proteção: da proteção do seu super herói.


P.S.: Desculpa, mas falta só um clichézinho: Amo-te, meu amor.

Sem comentários:

Enviar um comentário