quinta-feira, 13 de julho de 2017

Obrigado a ti, que estás comigo

Olho ao meu redor e não sei o que se passa. O mundo corre e eu vejo-o correr. Há uns tempos disse a mim mesma que não mais seria a mesma pessoa e novamente estou vulnerável perante mais um dos desafios da vida, daqueles que ela prepara com todo o cuidado, dirigido propositadamente a mim.
Depois de tantos meses sem me conseguir erguer para colocar um ponto final naquilo que, após nem um mês de ter começado, mais queria ver acabado, por todo o sofrimento e todo o sentimento derrotista que me causara, eis que a vida me desafia a baixar a armadura e a erguer a espada, obrigando-me a lutar contra quem me tentara derrotar e deixar completamente a seus pés. Em tempos conseguiu, com todos aqueles jogos que entranhavam no meu subconsciente como se de agulhas se tratassem. Pouco a pouco sentia-me cada vez mais cansada, mas ao mesmo tempo sem forças para colocar um término a tudo. Aquelas agulhas manipulavam-me de tal forma que, ao me derrotarem, pouco a pouco deixei de me conhecer. Não era eu quem ali estava. Não era eu quem via as lágrimas percorrerem a minha face. Não era eu quem aguentava cada palavra num tom elevado, cada tentativa de jogo físico, prendendo-me ali. Mas acima de tudo, não era eu quem ali estava quando ele me tocava, quando dizia me amar. Era outro alguém no meu corpo, mas não era eu. Eu nunca teria aguentado tanta mágoa, tanta guerra em que eu era sempre a culpada sendo a mais inocente. Talvez tenha sido um teste para me provar que, ao dizer que nunca aguentaria, talvez tivesse mesmo que suportar tudo, nem que fosse pela falta de força para enfrentar todo aquele jogo em que me encontrava. Contudo, o derradeiro momento em que acordei bastou-me para perceber que aquela não era eu e que teria, pela primeira vez, que lutar contra alguém que só me fazia mal. Naquele momento percebi que teria que enfrentar o fim. Desde esse dia, eu voltei a ser quem era, mas com uma bagagem de novas lições que me impedirá de voltar a permitir tamanhos jogos na minha vida.
Após todo aquele teste a que a vida me submeteu jurei não mais querer alguém a meu lado, que seria apenas eu e os meus sonhos, lado a lado, de mão dada. Mas, novamente, a vida achou que seria ela a mandar em mim e não o oposto. Colocou-me, então, perante o maior desafio de todos: dar tempo a alguém sem o ter sequer para mim. E foi aí que tudo começou. Foi aí que ele surgiu, no seu cavalo branco, sem promessas, mas com provas de que tudo seria diferente. Foi aí que tu, que estás comigo e que não vou permitir que vás, surgiste, completamente desarmado e a precisar de mim, tanto quanto eu precisava de ti. E, de repente, o tempo que eu não tinha transformou-se em horas, todas tuas, todas nossas. E, de repente, estar nos teus braços era o que mais precisava. E, de repente, um "não quero ninguém a meu lado" transformou-se num "quero-te comigo", mas não eram apenas duas palavras banais, era algo tão real como o nascer-do-sol e tão apaixonante quanto o pôr-do-sol e todo o anoitecer estrelado que se segue. E, sem dar conta, estava a teu lado, sem saber bem aquilo que realmente sentia, mas estava ciente de todo o bem que me fazes.
Cada segundo a teu lado transformou-se num desafio constante. Não saber ao certo o que sinto mas ter vontade de te amar, ter um medo crescente que me digas que vais sem regressar para junto de mim, saber que não posso desistir de ti porque se há perfeição ela está em ti - é que sabes, meu querido, a perfeição não é não existirem defeitos em nós, é mesmo com todas as nossas falhas conseguirmos ser o melhor possível para a pessoa a nosso lado -, estar contigo e estar certa de que nunca vou cair e que, caso aconteça, estarás lá para me dar a mão, tudo isto me faz querer amar-te com todas as minhas forças, mas ainda assim, com medo de não estar à altura de tudo aquilo que és para mim. Algo que não conheces em mim: sou feita de medos, esses que me assombram noites inteiras. E confesso-te isto para que, um dia, consigas entender o meu pavor em perder-te. Nunca achei que a vida fosse boa para mim e ter-te a meu lado é um completo sonho, do qual, após todo este tempo, ainda tenho medo de acordar, porque, mais uma vez, o medo crescente de te perder se apodera de mim e eu pergunto-me "o que me fizeste tu, para ter tanto medo de perder alguém?!".
Mas não me vou alongar a falar em ti, meu querido, porque aquilo que existe entre nós é tão nosso que o mundo não precisa de conhecer. Talvez um dia, quem sabe, te dê a conhecer. Contudo, por agora é apenas um desabafo a ti, que estás comigo e que não vou soltar, tal e qual uma criança com o seu balão e com todo aquele medo de o deixar fugir, por tanto gostar dele.

P.S.: Tal como te disse, a minha vida começou no dia em que entraste nela e o passado não mais importa. Gosto de ti, meu querido. O resto, fica para nós.

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