sábado, 2 de dezembro de 2017

A utopia do regresso

O tempo teima em voar e em não te levar com ele, e eu aqui permaneço, numa utopia de que um dia voltarás, envolta num tornado de esperança que não me permite sair sem ti. Mais uma vez voltaste a surgir no meu pensamento e trouxeste contigo todas as nossas memórias, mesmo as que eu já tinha esquecido. E é por tudo isto que quero fugir, de ti (no fundo, de nós). Contudo, tu não deixas. Teimas em querer que eu me agarre a ti com todas as minhas forças e, mesmo sem querer, tenho cedido sem pensar que talvez seja em vão.
Nunca julguei ter coragem para superar a tua ausência, todavia, a minha teimosia em ser feliz tem-se revelado deveras acolhedora naquelas noites frias em que me deverias aquecer o coração mas que, em contrapartida, apenas estás presente em forma de ausência. E, apesar de eu não saber lidar com essa tua forma de permanecer ao meu lado, continuo aqui, à espera que as minhas memórias voltem a ser reais, rodopiando por novos futuros e criando novas utopias, junto a ti. Outrora, meu querido, quando alguém partia da minha vida eu apenas desejava que um novo alguém substituísse essas ausências, mas contigo é tudo novo. E eu não sei lidar... Julguei ter a força necessária para te substituir facilmente, para seres "apenas mais uma lição", mas revelaste-te mais forte que eu. Já sabia que o eras, mas nunca julguei que, mesmo ausente, conseguisses ser mais teimoso que eu e insistir em ficar junto a mim. É que, sabes, para mim sempre foi fácil seguir adiante. Trepava pelas muralhas do meu castelo, aquele que outrora construí para me proteger, e focava-me apenas em mim. Era tão fácil esquecer alguém que me magoava. Bastava fechar-me dentro de mim mesma e abrir as portas do meu castelo a quem quisesse entrar. Eu fui essa pessoa. A pessoa que não pensava nas consequências e só teimava em ser feliz, com ela própria. Hoje, ainda teimo, ainda me fecho dentro de mim mesma, mas tens uma força brutal em mim, ao ponto de me destruíres cada vez que te apoderas do meu pensamento. E sei que tenho que ser mais forte que tu, e sei que consigo sê-lo, mas não consigo sequer equacionar a possibilidade de um dia ter outro alguém a ocupar esta tua ausência (que um dia foi a presença que mais feliz me fez ser).
Porque insistes em permanecer ao meu lado se foste tu quem decidiu partir de malas e bagagens? Porque insistes em ter tanto orgulho quanto necessário para te impossibilitar de sair de vez de perto de mim? Porque insistes em ocupar o meu subconsciente nas noites frias de inverno, quando devias abraçar-me e aquecer-me a alma? Porque insistes em apertar-me o coração e em trazer contigo tudo aquilo que vivemos? Porque insistes em estar ausente e, ao mesmo tempo presente? Consegues responder-me?
Os dias correm como se nada lhes importasse (e, talvez, nem importe mesmo) e eu aqui permaneço, na utopia do teu regresso sem ter coragem de colocar alguém a meu lado que ocupe a tua ausência. Pela primeira vez, não consigo ocupar uma ausência. Não tenho coragem para te substituir, meu querido. E, mesmo que tu me substituas, eu continuarei sem forças para lidar contigo e para colocar alguém no teu lugar. É que, sabes, meu querido, foste a pessoa que, até hoje, mais me marcou com esse teu jeito frio, com essa tua ausência e distância, com essa tua inconsciência, com essa tua forma de ser que tanto me deu para viver. Foste a minha maior lição e, no fundo, o meu maior desafio. Foste, não. Ainda és. E, eu sei que se nos voltarmos a cruzar ou irei fugir de ti como se o amanhã nunca fosse surgir, ou irei arranjar coragem para te fazer sentir na pele toda a força que me tiraste e, de seguida, beijar-te. Provavelmente não saberei lidar e acabarei por fugir mas, na minha esperançosa utopia, sei que irei precisar de te retribuir toda a mágoa e toda a revolta que tenho em mim. Quem sabe, um dia, nos reencontremos e eu consiga ter a força necessária para te olhar nos olhos, sorrir, e seguir adiante. Porque coragem para te substituir, eu não tenho, mas tenho coragem para ser feliz comigo mesma, para me agarrar àquilo que tu me incentivaste a agarrar e para não mais largar. Porque posso nunca ter coragem para te arrastar para fora da minha vida, mas terei coragem para saber lidar com esta tua presença no meu subconsciente. Por agora, sei que não conseguirei fixar o meu olhar no teu sem me estilhaçar diante da tua presença. Mas estou certa que um dia terei toda a força do mundo para o fazer. E, por agora, resta lidar com esta utopia, contrariando-a, de que um dia irás voltar.

domingo, 5 de novembro de 2017

Ela e só ela

Ela não sabe lidar com o mundo, faz tudo errado e age por impulso. Talvez seja esse o seu problema: ser demasiado impulsiva. Ela não sabe amar pouco nem sabe amar pela metade. Ela quando quer, quer mesmo, com todos os defeitos e qualidades. Ela é carente mas não aceita que entrem no seu mundo sem a conquistarem primeiro. Ela erra, é humana, mas não tem orgulho que a impeça de pedir desculpa, mesmo quando não é ela a errar, ela toma a iniciativa de aceitar as culpas. Ela é assim, imprevisível e ao mesmo tempo dedicada.
Ela já sofreu, já soube o que era ser abandonada, sem forças, mas foi isso que a motivou a agarrar-se aos seus sonhos, a lutar por aquilo que realmente a faz feliz e a conseguir adquirir as suas próprias forças. Ela já foi dependente de um amor, já cegou e já se deixou levar. Mas ela não é mais essa menina iludida pelo suposto amor da sua vida. Ela acordou, de vários pesadelos, e percebeu que a vida é muito mais que um amor falhado e que nada nem ninguém lhe pode tirar a sua independência. Hoje, ela é uma menina-mulher independente que não pede "por favor" para sair à noite. Hoje, ela é a menina-mulher que qualquer homem teme. Hoje, ela não receia um "se tu vais, tudo acaba", ela limita-se a ir e os outros que aceitem. Ela toma as suas próprias decisões e não permite ultimatos. Ela senta-se, rodeada de amigos, na mesa de um café e não se importa que a julguem por estar acompanhada de "eles". Ela dita o seu futuro, delineia-o e atira-se a ele com todas as suas forças. Hoje, ela não tem forças para lutar por amores falhados. Se falhou, ela ergue-se e dedica-se em pleno aos seus sonhos. São eles que a vão levar longe, são eles que nunca a abandonarão e que sempre a acompanharam. Hoje, aquela menina cresceu e não mais permitirá que ditem o seu futuro. Ela é o seu próprio futuro.
Ela sabe amar mas não quer mais. Ela sabe o que é incluir alguém no seu mundo e dar demais de si. Ela sabe o que é passar noites em claro, a chorar, por quem decidiu o seu futuro e a afastou. Ela sabe perfeitamente o que é dedicar-se a alguém e esse alguém não dar valor. E é por isso que ela, hoje, não mais aceita amores pela metade. É por isso que, esta menina que foi obrigada a crescer, não permite que voltem a entrar no seu mundo. É por tudo isso que ela não aceita mais promessas como "vou-te conquistar e tudo será diferente, prometo", ou até mesmo como "tudo vai dar certo, será desta vez". Ela simplesmente não acredita mais no "para sempre". Recusa-se a acreditar. E é por isso que ela é tão feliz com os seus sonhos. Enquanto todo o mundo idealiza e se limita a dizer que é o seu sonho, ela transforma tudo aquilo que sonha em realidade. Ela carrega o seu próprio mundo nas suas próprias costas. Ela sabe o quanto pesa um sonho. Ela sabe o quão doloroso é lutar por um simples sonho. Mas ela nunca teve apenas um sonho. Ela é cheia de sonhos, cada um maior que o outro e todos aqueles que a tentaram impedir só a ajudaram a dar a volta e a descobrir uma nova forma de atingir o seu objetivo. Ela cresceu rodeada de sonhos. Ela é os seus sonhos. Ela não sabe desistir. Ela é a menina da mamã que sabe o que é lutar pelo que quer. Ela é a criança que sempre errou por ser inconsciente. Ela é a criança que nunca foi perfeita aos olhos do mundo. Mas, hoje, ela é a mulher que sabe o que é ser feliz, consigo própria, sem depender de outro alguém que a complete. Porque ela, hoje, é a mulher, dona de si e dos seus sonhos, dona da sua felicidade. Porque hoje, aquela menina que cegava por um amor falhado, já não existe. Porque hoje, ela ainda é impulsiva, inconsciente, ainda erra, mas ela sabe ser feliz e aprender com os seus erros. Porque ela teve um passado que não deseja a ninguém e continua a enfrentar a vida de cabeça erguida. Porque ela é teimosa e teima com a vida em ser feliz. E, hoje, ela não permite que a vida a destrua. Ela dita o seu próprio destino, entrelaça os seus dedos nos seus sonhos e segue adiante.
Ela pede desculpa pelos seus erros, não é orgulhosa, dá o seu máximo em tudo aquilo a que se compromete. Ela não desiste com facilidade quando sabe que algo a fará feliz. Mas ela sabe a altura certa de seguir em frente. Ela sabe quando o presente deve ser passado e quando o futuro deve ser presente. Ela não é a rainha da simpatia, pelo contrário. Ela acorda com o pior feitio do mundo. Reclama até consigo mesma. Quando precisa de ruir, foge. Não gosta que a ajudem, mas gosta de ajudar os outros. Ela pode adormecer de lágrimas nos olhos mas nunca a irão ver sem um sorriso no rosto. Excepto se não beber café. Aí, o mau feitio dela sobrepõe-se a tudo. Ela irradia felicidade. Contudo, se olharem bem fundo nos seus olhos, irão perceber que ela é feliz mas que algo a incomoda. Porque ela não é perfeita. Porque ela não é de ferro. Ela é apenas humana. Mesmo que não dependa de ninguém para ser feliz, quando a magoam ela não está feliz. Ela também sente dor. Mas é profissional a esconder todo e qualquer tipo de dor. Ela reclama do mundo se for preciso, faz parte do seu mau feitio. Mas se a conseguirem conquistar ela põe o seu mau humor de lado, a cada acordar, para se dedicar a combater o da pessoa que a acompanha. Contudo, ela não se deixa conquistar. Não mais o permitirá. Porque ela sabe que ninguém tolera o seu mundo, a sua independência, a sua rabugice e o ser tão "labiosa" quanto ela é. Porque ela não mais irá permitir que lhe tentem destruir os sonhos ou mesmo a sua liberdade. Porque ela não precisa que a conquistem para ser feliz. Ela não precisa de recomeços de amores falhados, apenas de se ancorar aos seus sonhos. Porque ela decidiu ser feliz e ninguém a conseguirá impedir de o ser.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Se voltares, prometes ficar?

Aqui estou eu, em mais um dos meus momentos em que comecei a odiar ficar sozinha, e em que comecei a evitar dormir para não ter que te relembrar, quer seja ao adormecer ou mesmo durante todos aqueles sonhos que me atormentam, noite após noite.
Nunca pensei ser possível escrever para ti sem estar feliz. É tão estranho saber que não estás mais aqui e que só me resta isto, este cantinho que ouve os meus desabafos, aqueles que devias ser tu a ouvir, mais que não fosse por me teres prometido estar sempre aqui, ali ou acolá, para mim. Mas resta isto, resta este sítio no qual estou sentada e no qual estive há uns meses, mas com uma constante troca de palavras contigo. Lembras-te da nossa rotina? Das noites em claro mas das quais eu acordava com o maior sorriso do mundo? Pois bem, é onde me encontro, mas com a tua ausência, com um acordar sem dormir com o qual ainda não sei lidar.
Três semanas. Apenas três semanas. Julguei conseguir aguentar, conseguir esperar e, no fundo, ainda estou à tua espera, só não tenho forças para definir esta situação como uma espera. Mas, meu querido, eu não desisti de ti. Não desisti de nós. Eu só não tenho mais forças para anunciar que ainda te espero. Mas, acredita, se voltares terei toda a força do mundo para te receber de braços abertos, para voltar a lutar por ti, dia após dia, saltando por cima de cada erro teu e tentando contornar cada erro meu. Porque, meu amor, eu habituei-me a agarrar todas as nossas memórias e a encontrar força nelas. Caso contrário eu já teria ruído em mil e um pedaços.
Dias a sorrir perante gente que corre como se o mundo fosse acabar, sem o observar. Talvez ninguém note que estou completamente arrasada. Mas o objetivo é mesmo esse. E por tal continuarei a fazer. Afinal até aprendi algo contigo, mais que não fosse a ter um pingo de frieza. Contudo, ao dar um passo em direção à minha própria presença, sem que ninguém me acompanhe, morro de medo de me estilhaçar. Muitas vezes é preciso cair e aproveitar a força de levantar para seguir em frente, mas de todas as vezes que já caí, meu amor, tive força para me erguer, mas não para continuar adiante sem ti.
Já esgotei as palavras para contigo, começando a perder a esperança de te ver novamente nos meus braços. Contudo, meu querido, lembra-te de tudo aquilo que fiz por ti, lembra-te de todas as vezes em que virei o mundo do avesso pelo teu bem, pelo nosso bem. Lembra-te de todas as palavras que nos juntaram. Mas, acima de tudo, esquece tudo aquilo em que ambos errámos. Sempre te disse que era tudo menos perfeita, tal como tu mo disseste mas, sabes, mesmo com todos os teus erros, continuaste sempre a ser perfeito aos meus olhos, e sabes porquê? Porque de cada vez que erravas, sem saberes compensavas-me de uma forma extraordinária. E era isso que me prendia a ti e que me tirava a coragem para te confrontar com os teus erros. Eu sei, eu errei. Eu sei, não perdoaste. Mas, por favor, mete as cartas na mesa, contrabalança todos os momentos. Por favor, vê quais é que pesam mais, se os maus ou se os bons.
Eu sei, é improvável que, após quase um mês e com tanto orgulho acumulado, voltes. Contudo, apesar de não ter forças para o dizer, eu continuo à tua espera, porque nunca alguém me fez tão feliz quanto tu, porque nunca alguém foi o meu sorriso mais verdadeiro, porque preciso de ti ao meu lado. Preciso de ti, nem que seja apenas para me aqueceres os pés nas noites frias de inverno ou para simplesmente me abraçares durante a noite, mas preciso de ti e da tua frieza que combina com todo o meu mel em excesso. Preciso de te voltar a amar, com o meu corpo colado ao teu, enquanto me abraças e me dizes que vai ficar tudo bem. Preciso que voltes. Mas, se voltares, prometes ficar?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pode ser loucura, mas fica.

Há uns dias que todo um misto de emoções se apoderou de mim. Não por medo de te amar mas por medo que o mundo te tire dos meus braços. É que, meu amor, o mundo é louco e não aceita quando a felicidade plena existe. Mas não o condeno, eu faria igual até há uns meses antes, até antes de ser tua eu não conhecia o poder da felicidade, muito menos sabia que poderia ser tão intensa.
"Ainda dizes tu que não apaixonas", lembras-te? Achavas tu que seria apenas eu a revolucionar o teu mundo quando, no fundo, foste tu quem veio transformar o meu numa autêntica aventura. Essa que começou quando o destino decidiu que eras a peça do puzzle que me faltava, tal e qual como eu para ti. Sim, amor, eu não esqueço tudo o que me pediste, desde a aguentar tudo por ti - embora duvidasses da minha capacidade para tal - até ao estar ao teu lado e te dar a mão para não mais caíres. Não esqueço que mo pediste e não esqueço que independentemente desse pedido o iria sempre fazer. É que, sabes, é impossível dormir ao teu lado sem acordar a cada respiração tua, só para saber se estás bem. É improvável que adormeças e eu não olhe para ti uns longos instantes, só para te contemplar, para me enamorar de ti mais um pouco, para ter a certeza de tudo aquilo que me provocas. Mas principalmente, é raro, muito até, olhar para ti e não sorrir. E quando me questionas do porquê de o fazer e te respondo que gosto muito de ti ou até mesmo que és lindo, no fundo o que eu quero mesmo dizer é que tenho medo de te perder, que quero lutar por ti e ficar ao teu lado em cada batalha que a vida te apresente - nos apresente -, que me fazes feliz como nunca antes fui, que me arrepia saber que posso não ser suficiente para ti. É quando sorrio e os meus olhos brilham, sem te perderem o rasto, que eu tenho a certeza de tudo aquilo que significas para mim.
"De quem quer 10 tu tens 1000" e é quando me dás a mão, entrelaçando os teus dedos nos meus, que estas palavras mais fazem sentido. E é aí que me sinto tua e com confiança suficiente para enfrentar a tua ausência momentânea, aquela que é mínima mas que, para mim, é equivalente a um céu estrelado, tão distante e tão presente em simultâneo. A vida, na sua mais cruel inocência, tentará sempre testar-me, colocar-me diante de mil e um pensamentos que me enlouqueceriam caso não recordasse todas as tuas palavras, todos aqueles momentos em que me garantiste seres apenas meu. Já és conhecedor do meu passado e dos desastres que o acompanham, e fizeste questão de me dar a mais pura das certezas de que nada se iria repetir, de que estavas aqui para ficar e não para me deixar ir, agarrando a primeira saída que a vida te entregasse. E, meu amor, eu confio em ti. Apenas não me desiludas em nenhuma circunstância.
"Amor?! Gosto muito de ti" e é aqui que, virando um pouco o jogo a meu favor, não expondo mais as tuas palavras de aqui em diante, que me dizes sempre um "Nah", na esperança que eu baralhe as letras todas ao meu dispor, as una de novo, e forme uma nova palavra. Contudo, ultimamente limito-me a sorrir. De facto, eu crio essa nova palavra mas, ao tentar expulsá-la do meu pensamento, para que a possas ouvir, ela teima em ficar presa. Talvez seja cedo, ou talvez seja a altura certa para que ela procure dar sentido a tudo o que temos. Todavia, estou certa de que precisas de a ouvir, aliás, que esperas que ela ganhe vontade própria e vá ao teu encontro. Mas, meu querido, eu prometo que ela irá até ti, ao cruzar o meu olhar com o teu, e após perder o medo das palavras com que irás retorquir.
Como parece que gostamos de rotinas, aqui está mais uma: escrever para ti. Não é que saibas, ainda, que todas estas letras, ao se unirem, se dirigem a ti tal como desconheces que foi derivado a todo o misto de emoções que me provocas que voltei a esta Casa, que voltei a ter gosto pela junção louca - e, talvez, absurda - das palavras, conferindo-lhes (algum) sentido. Mas um dia saberás e eu estou certa de que farás o maior dos esforços para conhecer esta Casa que agora também já te pertence um pouco e que, mais uma vez, o farás para me veres feliz. Porque o mundo é louco por não ver toda a minha felicidade, porém, tu és louco por dares a volta ao mundo para me veres sorrir, tal e qual uma idiota, ao olhar para ti. Porque tu, meu amor, és louco por me acompanhares nesta aventura que é tão nossa.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Obrigado a ti, que estás comigo

Olho ao meu redor e não sei o que se passa. O mundo corre e eu vejo-o correr. Há uns tempos disse a mim mesma que não mais seria a mesma pessoa e novamente estou vulnerável perante mais um dos desafios da vida, daqueles que ela prepara com todo o cuidado, dirigido propositadamente a mim.
Depois de tantos meses sem me conseguir erguer para colocar um ponto final naquilo que, após nem um mês de ter começado, mais queria ver acabado, por todo o sofrimento e todo o sentimento derrotista que me causara, eis que a vida me desafia a baixar a armadura e a erguer a espada, obrigando-me a lutar contra quem me tentara derrotar e deixar completamente a seus pés. Em tempos conseguiu, com todos aqueles jogos que entranhavam no meu subconsciente como se de agulhas se tratassem. Pouco a pouco sentia-me cada vez mais cansada, mas ao mesmo tempo sem forças para colocar um término a tudo. Aquelas agulhas manipulavam-me de tal forma que, ao me derrotarem, pouco a pouco deixei de me conhecer. Não era eu quem ali estava. Não era eu quem via as lágrimas percorrerem a minha face. Não era eu quem aguentava cada palavra num tom elevado, cada tentativa de jogo físico, prendendo-me ali. Mas acima de tudo, não era eu quem ali estava quando ele me tocava, quando dizia me amar. Era outro alguém no meu corpo, mas não era eu. Eu nunca teria aguentado tanta mágoa, tanta guerra em que eu era sempre a culpada sendo a mais inocente. Talvez tenha sido um teste para me provar que, ao dizer que nunca aguentaria, talvez tivesse mesmo que suportar tudo, nem que fosse pela falta de força para enfrentar todo aquele jogo em que me encontrava. Contudo, o derradeiro momento em que acordei bastou-me para perceber que aquela não era eu e que teria, pela primeira vez, que lutar contra alguém que só me fazia mal. Naquele momento percebi que teria que enfrentar o fim. Desde esse dia, eu voltei a ser quem era, mas com uma bagagem de novas lições que me impedirá de voltar a permitir tamanhos jogos na minha vida.
Após todo aquele teste a que a vida me submeteu jurei não mais querer alguém a meu lado, que seria apenas eu e os meus sonhos, lado a lado, de mão dada. Mas, novamente, a vida achou que seria ela a mandar em mim e não o oposto. Colocou-me, então, perante o maior desafio de todos: dar tempo a alguém sem o ter sequer para mim. E foi aí que tudo começou. Foi aí que ele surgiu, no seu cavalo branco, sem promessas, mas com provas de que tudo seria diferente. Foi aí que tu, que estás comigo e que não vou permitir que vás, surgiste, completamente desarmado e a precisar de mim, tanto quanto eu precisava de ti. E, de repente, o tempo que eu não tinha transformou-se em horas, todas tuas, todas nossas. E, de repente, estar nos teus braços era o que mais precisava. E, de repente, um "não quero ninguém a meu lado" transformou-se num "quero-te comigo", mas não eram apenas duas palavras banais, era algo tão real como o nascer-do-sol e tão apaixonante quanto o pôr-do-sol e todo o anoitecer estrelado que se segue. E, sem dar conta, estava a teu lado, sem saber bem aquilo que realmente sentia, mas estava ciente de todo o bem que me fazes.
Cada segundo a teu lado transformou-se num desafio constante. Não saber ao certo o que sinto mas ter vontade de te amar, ter um medo crescente que me digas que vais sem regressar para junto de mim, saber que não posso desistir de ti porque se há perfeição ela está em ti - é que sabes, meu querido, a perfeição não é não existirem defeitos em nós, é mesmo com todas as nossas falhas conseguirmos ser o melhor possível para a pessoa a nosso lado -, estar contigo e estar certa de que nunca vou cair e que, caso aconteça, estarás lá para me dar a mão, tudo isto me faz querer amar-te com todas as minhas forças, mas ainda assim, com medo de não estar à altura de tudo aquilo que és para mim. Algo que não conheces em mim: sou feita de medos, esses que me assombram noites inteiras. E confesso-te isto para que, um dia, consigas entender o meu pavor em perder-te. Nunca achei que a vida fosse boa para mim e ter-te a meu lado é um completo sonho, do qual, após todo este tempo, ainda tenho medo de acordar, porque, mais uma vez, o medo crescente de te perder se apodera de mim e eu pergunto-me "o que me fizeste tu, para ter tanto medo de perder alguém?!".
Mas não me vou alongar a falar em ti, meu querido, porque aquilo que existe entre nós é tão nosso que o mundo não precisa de conhecer. Talvez um dia, quem sabe, te dê a conhecer. Contudo, por agora é apenas um desabafo a ti, que estás comigo e que não vou soltar, tal e qual uma criança com o seu balão e com todo aquele medo de o deixar fugir, por tanto gostar dele.

P.S.: Tal como te disse, a minha vida começou no dia em que entraste nela e o passado não mais importa. Gosto de ti, meu querido. O resto, fica para nós.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Regresso por culpa do vento

Há muito que não o faço, que perdi a coragem e que me ausentei deste meu mundo. Mas, hoje, sinto que preciso de voltar. Após vários anos, algo me puxa novamente ao desabafo e me exige que volte. Por regra, é raro fazer as vontades ao meu subconsciente e acabo por sobrecarregá-lo com os pensamentos do mundo, contudo, tive necessidade de deixar o mundo de lado e de me focar apenas naquilo de que preciso. Sim, preciso de voltar. Preciso de regressar a este meu mundo onde posso ser apenas eu, sem máscaras. Nesta Casa sempre fui feliz sem julgamentos do mundo, mas quando o Sonho cresceu, parece que tudo se reduziu a nada, parece que soltar as palavras ao vento perdeu o sentido.
Olho à minha volta e questiono-me: quem sou eu de há uns tempos para cá? Tudo está diferente... A Casa do Sonho está diferente, embora tudo continue no mesmo lugar. Eu, principalmente, estou diferente. Foram anos a lidar com ausências, com portos de abrigo que deixavam de o ser em segundos, com toda uma atmosfera de mágoa, mas tudo isso foi com o vento. Tudo aquilo que outrora me magoara e me obrigara a derramar inúmeras lágrimas, perante estas quatro paredes que só esta Casa conhece, hoje obriga-me a levantar depois de cada recaída. Foram meses a lidar com a partida de alguém que, de facto, nunca teve intenções de ficar. Foram mais uns quantos meses a lidar com palavras banais sem intenção de se tornarem reais. Foram vários meses, talvez anos, a viver na ilusão e na irrealidade de que o "para sempre" fosse real. De facto, fui quem nunca pensei vir a ser. Transformei-me na mais submissa das almas, naquela que, cegamente, aceitava o destino, mesmo que sempre o tivesse desafiado. Talvez o problema tenha residido aí mesmo, em ter desafiado, toda uma vida, o destino. Ao que parece ele não gostou e colocou-me na derradeira prova de fogo, para ver até onde eu seria capaz de aguentar toda a trama. Foram tantas as vezes que caí e que permiti que o fogo se apoderasse de mim, ficando vulnerável ao mundo e aceitando todas as consequências sem contestar.
Perdi a conta ao tempo que permiti que o destino me usasse, até ao dia em que decidi voltar a desafiá-lo e a ser quem nunca tinha sido. Pouco a pouco levantei-me, inicialmente a medo, mas com a certeza de que não iria aguentar, nem mais um segundo, todo aquele mundo em que o destino me colocara. Contudo, todo aquele peso que carregara nos ombros obrigou-me a voltar a cair. Pensei não mais ter forças para me erguer, para colocar o peso do mundo nas costas como sempre fiz e caminhar, com o olhar focado no futuro. Mais uma vez, foram meses em que queria enfrentar o destino mas não me era permitido, algo me prendia e me fazia ter medo de deixar tudo para trás e de enfrentar as consequências de uma partida. Desta vez, da minha partida.
Pela primeira vez soube o quão bom era partir sem regresso, soube o quão revigorante é a liberdade de virar as costas a tudo e de esquecer que, durante tanto tempo, estive presa num mundo sem ambições, num mundo minúsculo no qual eu não conseguia sequer entrar, quanto mais permanecer. Era um mundo demasiado pequeno para o meu mundo nele se encaixar, mas só o percebi no dia em que saí, sem rumo, e com uma única companhia: o vento. Este tem sido o meu melhor amigo nos últimos tempos. Nunca me abandonou quando precisei de aliviar a mente, quando precisei de secar umas quantas lágrimas salgadas, quando precisei de sair sem rumo e de estar sozinha. Ele passou a ser o meu cais e é nele que procuro toda a minha força. Contudo, não tem sido suficiente. Habituei-me à sua presença e já não me sacia. Foi então que, sem eu esperar e muito menos querer, surgiu o meu verdadeiro cais. Aquele que me disse que não me iria deixar cair e que não me iria deixar contar apenas com o sabor do vento. Sem dar conta, já estava ao meu lado para lutar contra o mundo. Mas não é o mesmo de todas as outras vezes. Não consigo entender, mas não é igual a todas as mágoas e aventuras que vivi, pelo contrário, é demasiado irreal para ser real. Contudo, tem-se tranformado num autêntico quebra-cabeças e, por sorte (ou azar), eu adoro. Talvez por, desta vez, estar demasiado lúcida para mergulhar no mais fundo dos poços, quem sabe por medo de voltar a enfrentar o destino, eu goste de toda esta mistura de emoções.
Este é o meu regresso a esta Casa, a um mês de três anos que a expus ao mundo. Hoje o mundo conhece-a, mas nunca saberá o que aqui já senti, porque é impossível alguém entender o que esta Casa significa para mim, é impossível alguém entender tudo aquilo que se encontra nas entrelinhas ou até mesmo tudo aquilo que aqui já vivi. Mas algo é certo, foi aqui que cresci e o meu maior erro foi ter abandonado esta Casa depois de a ter exposto. Agora, sinto-me a traí-la, sinto-me a pior pessoa do mundo por ter partido sem uma despedida como habitualmente fazia, por ter abandonado esta Casa sem uma explicação, mesmo que essa explicação me fosse proibida de dar. Mas, de agora em diante, ninguém me irá tirar este porto de abrigo e o conforto que só aqui eu sinto. O vento fez-me regressar e eu própria me obrigo a ficar, pois só assim me sinto realmente bem comigo mesma. Só a deambular por entre inúmeras letras é que me sinto realizada. Vêm aí novos desafios, novos confrontos com o destino, mas por agora o meu regresso fica por aqui. Por agora, chega de dançar com as letras e de deixá-las voar com o vento. Por agora, estou bem. Quando a vida me obrigar a encarar o mundo irei voltar. Mas, por enquanto, vou deixar o vento resolver e esperar para ver onde me vai levar.