Corações de Chocolate

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Carta a ti, que torces por mim

O tempo voou e, ainda assim, dei por mim a relembrar-te como se te tivesse perdido há uns dias. A dor parecia ser a mesma, talvez um pouco mais apaziguada e desvanecida pela poeira do tempo, mas com o mesmo peso de antes. A saudade... Ohh, essa parecia não ter fim, e desde que se instalou não encontrou o caminho de volta nem um novo espaço onde viver. E eu?! Aqui continuo, no mesmo sítio, sem conseguir amar além de ti, além da vida e além de mim. Estou feliz, como tu me pediste tanta vez que o fosse: por mim e para mim. Mas falta algo. No fundo, sempre faltará...

Seis anos. Foi há exatamente 6 anos que te escrevi as últimas palavras que tiveste minhas, em que te referi ter o mundo a meus pés e precisar de o abraçar. Cortei o clima com um "amo-te, para sempre" e, de seguida, sai da tua vida. Nem mais uma palavra trocada entre nós, até que te perdi para sempre. Seis anos desde esse dia: aquele em que prometi nunca te esquecer, mas também ser feliz sem ti. Mal sabia eu que a vida me obrigaria a ser feliz com o peso da dor e da saudade que a tua ausência deixou. Aquela menina inocente que acreditou na vossa relação e que fez all in contra o mundo, morreu no dia em que te viu ganhar asas e voar para bem longe dela. A menina dos olhos brilhantes cada vez que te abraçava, sentiu-se a transbordar de lágrimas por não te poder tocar novamente. A menina sorridente e a ganhar confiança em si, que tu criaste, desapareceu e recusou-se a voltar sem antes conquistar o mundo que tinhas planeado para ti. Essa menina, ficou presa no passado e até hoje nunca mais a encontrei. Mas sabes quem encontrei?! A mulher menina que te orgulharias de ter a teu lado. A mulher menina resiliente, corajosa, e com uma confiança muito superior àquela que ambicionavas que ela tivesse.

Não vou dizer que nestes seis anos foi fácil reviver histórias, falar de ti como se já fosses passado e não doesse, com um "já doeu mais, já aceitei" como resposta automática, e seguir em frente. Ninguém conseguiu ocupar o teu lugar, nem despertar um terço daquilo que tu me causavas. Existiram alguns erros de casting, mas nenhum deles teve a capacidade de me fazer sorrir da mesma forma e muito menos de reanimar as borboletas adormecidas que deixaste por aqui. Aquelas que quando os teus lábios tocavam a minha pele, acordavam e faziam o meu corpo arrepiar. As mesmas que esvoaçaram dias sem fim quando te perdi, sem rumo nem direção. Nem sempre as viagens turbulentas dessas borboletas foram por boas razões e, hoje, ao olhar para trás relembro as palavras que ouvi horas depois da tua notícia e reconheço que tu nunca foste perfeito, mas sim humano. Ainda assim, perdoei-te. Perdoei todas as vezes que me magoaste, todas as vezes que decidiste matar estas borboletas sem pensar duas vezes. Perdoei porque cada vez que as mataste também foste tu quem as reanimou, quem pegou nelas com cuidado e as trouxe de volta a mim, sem saberes o poder que tinhas em mãos ao me teres inteira a teu lado. A verdade é que foste tu quem me estilhaçou vezes sem conta, mas nada me empurrou com tanta força para o fundo do poço como saber que te perdi. E sabes que mais? Apesar de te perder, no fundo, encontrei-me a mim.

Em tempos senti culpa. Culpa de te perder para o mundo e não te poder segurar nos meus braços, de não te conseguir salvar quando recupero tantas vidas, de te ver desistir sem lutar uma última vez. Senti culpa por me recordar que eu era o teu porto seguro, a razão do teu equilíbrio e a tua calmaria perante as tormentas. Recordo-me de quando me disseste que eu era a razão pela qual continuavas a lutar. Gostava de ter sido forte o suficiente para não teres desistido de nós, de mim e consequentemente de ti. Durante bastante tempo achei que tinha que carregar os teus sonhos e objetivos como uma mochila nas costas, e que deveria levar-te em cada passo meu. A verdade é que estás em cada um, mas desta vez nos meus próprios passos, no meu próprio caminho, que eu tracei para ser feliz.

Seis anos desde que te vi pela última vez, no pior dos cenários que alguma vez juguei ser possível ver-te. Desde aí, dediquei-me por completo a salvar todas as vidas que possa, e a revoltar-me sempre que falho com alguma. Talvez tenha construído uma raiva insana contra a morte, e talvez seja essa razão de não aceitar desistir quando ainda vejo potencial na vida. Eu mesma, recuso-me a desistir de mim. Confesso que ultimamente não tem sido fácil. Sinto-me exausta por falhar tantas vezes com quem depende de mim. E eu sei bem o quanto me elogiavas ao mundo pelo meu amor gigante nos meus miúdos. Mas tu partiste cedo demais para conheceres o meu verdadeiro potencial. Aquele que eu sei que estou a perder se continuar a remar contra a maré.

20 de Agosto. Este é o dia que me causa mais ansiedade por não saber como vou estar até chegar a ele e o viver. São semanas de pânico sem saber se vou chorar, rir, isolar-me ou estar rodeada de pessoas. Nestes seis anos já o vivi de tantas formas que acredito que será sempre uma incógnita para mim, por mais anos que possam vir a passar. A verdade é que este ano serviu como um abre olhos para a realidade que não quero ver. Quando te perdi, aquilo que eu mais queria era curar-me: voltar a ser feliz e a sorrir, sem sentir dor nem vontade de arrancar o coração do peito, e, principalmente, sem me sentir morta por dentro. De facto, hoje é também aquilo que mais quero, uma vez mais. Desta vez as razões não são iguais, mas sinto que estou a deixar morrer algo que eu tanto amo, e não posso permitir-me a tal.

Sei que estás orgulhoso do meu percurso. Tenho observado os sinais que me vais deixando por aí e estou segura de que aquilo que eu conquistar, terá um dedo teu. Há dias que gostava de me cruzar contigo na rua, abraçar-te e dizer-te que foste a melhor coisa que me aconteceu, mas também a maior lição da minha vida, e que és a razão de eu continuar a lutar. Mas, infelizmente, a vida levou-te antes que eu te pudesse fazer ficar. Gostava de te voltar a ver, olhar-te nos olhos e ter a certeza de que serás para sempre o grande amor da minha vida. Gostava de voltar a sentir aquele turbilhão de sentimentos que me causavas, desta vez sem sermos dois adolescentes imaturos a brincar aos contos de fadas. Mas sabes o que mais gostava? Gostava de poder deitar a cabeça no teu peito quando o caos me atormenta e a ansiedade me domina, e ficarmos assim: no silêncio que tão bem conhecíamos e que sarava as feridas de ambos. Sinto falta de tudo isto. Não voltei a amar depois de ti, e é algo que me assusta. Estarei eu viva?! Ou será que parti contigo?

Há tanto para te contar e tão pouco para dizer. Tu serás para sempre tu, e daqui em diante mesmo que tenha finalmente decidido dar uma oportunidade ao meu coração de ser feliz, parece tão difícil que alguém consiga ter capacidade para lidar com ele. E assim continuo refugiada em mim, a usar frequências cardíacas estupidamente altas para acalmar a minha mente, e focada em salvar vidas impossíveis de trazer de volta, mesmo que isso me faça revoltar mais e mais com a vida (ou quero dizer com a morte?). Na verdade, pouco importa. Após a tua partida, ficou o hábito de ser eu contra o mundo. Mas prometo melhorar, lutar por mim e por ser feliz, ainda que não te volte a encontrar. Pelo menos, não nesta vida. Talvez numa outra. Até um dia, meu amor.

sábado, 16 de março de 2024

Re(encontro)começo.

Olá meu amor. Espero que te encontres bem onde quer que estejas. Eu aqui estou, a viver dia após dia, na mesma linha temporal que antes mas uns passos adiante de onde me deixaste. Tentei desvendar diversos caminhos em busca do ideal, mas felizmente a vida entregou-me uma bússola com a direção apropriada. Não sei se aquela rosa dos ventos seria a minha, mas posso dizer que me sinto finalmente confortável desde a tua partida.

Nunca mais foram tempos fáceis, tive que lutar envolta de tsunamis e sobreviver a furacões que a minha mente criava e, no final, sair ilesa. Desvendei mistérios e encruzilhadas para me manter de pé, com o mesmo sorriso de menina teimosa que sempre elogiaste, e nem sempre acreditei sobreviver aos obstáculos que, a cada passo dado, encontrava. Sabes, meu amor, agora talvez faça mais sentido chamar-te meu anjo, não achas? Bem, meu anjo, tenho tanto a dizer-te e ao mesmo tempo não sei bem por onde começar. Mas deixemos esta mudança de nome para uma parte mais final, porque no fundo, as coisas boas nunca vêm primeiro.

Depois de ti não voltei a amar, no fundo, acho que não sei mais o que é sentir aquele turbilhão de borboletas inquietas dentro de mim, que me arrepiava e me deixava em pleno desassossego. Hoje sei que talvez não fosse o mais saudável do mundo, mas aquela ansiedade também me trazia felicidade. A verdade é que, mesmo que alguém me desperte interesse, ninguém és tu. Ninguém me arranca os sorrisos de menina-criança com o seu jeito mimoso, não mais soube o que era ser eu mesma com alguém e poder lutar de punho cerrado pelos meus sonhos com um apoio incondicional por trás. Não voltei a aprender o significado de ter alguém junto a mim que me dê a mão quando o medo e a vertigem me assombram, muito menos o valor que um mero beijo na testa tem no meu íntimo e conforto.

Foram anos difíceis, tentei carregar o teu sonho nas minhas costas e mostrar-te o mundo pelos meus olhos, mas eu não estava feliz e muito menos me sentia completa. No presente, aceito ser incompleta sem ti, mas, meu anjo, não aceito sê-lo sem mim. Desde que partiste que te coloquei diante de mim quanto tu bem sabes, que lutei contra o universo com a minha teimosia de menina mimada como tanta vez me dizias, e te carreguei no meu peito e vivi tudo aquilo que não pudeste. Não foi justo para mim, mas fui eu quem se colocou em tamanha posição. Fui eu quem te prometeu o mundo, quem disse que o conquistaria a teu lado, fui eu quem decidiu que essa promessa teria que continuar. E assim fui, tal e qual passarinho solto que voa em liberdade, rumo a algo tão nosso mas que no fundo era apenas teu. Não te culpo, nunca, em circunstância alguma. No entanto, sei que os teus planos para mim nunca foram que eu seguisse os teus passos. Sabias o quão longe eu ambicionava chegar e nunca fizeste questão de me privar dos meus objetivos em prol dos teus. Quiseste-me, sim, a teu lado quando a tua vida desmoronou e para erguermos os teus sonhos, pedindo-me sempre para continuar a lutar, sem baixar a guarda nem desistir, de conquistar o mundo.

Quase cinco anos que a vida te levou sem uma explicação. Alma velha, dizias. E sabias, bem até demais, que a tua passagem era temporária, só não contava escrever-te hoje, no dia em que completarías mais uma volta ao sol. Sei que estás aqui ao meu lado, a ver-me controlar desesperadamente as lágrimas que teimam em cair enquanto tento transparecer serenidade. Quantas vezes que me pediste para voltar ao mundo das letras e eu teimava em adiar, em dizer ao tempo que não há tempo, mas a verdade é que desde que partiste o tempo não é mais o mesmo. Ambiciono o dia que te vou voltar a abraçar. Será por uma casualidade da vida, numa outra vida, que nos encontraremos e iremos aprender novamente o que é sentir um arrepio frio pelo corpo ao primeiro toque? Ou será por uma casualidade que nos encontramos num café aleatório e sentiremos que já vivemos um grande amor numa outra vida? Será que o deja vú será suficiente para nos voltar a juntar, ou cada um seguirá o seu caminho? Sei que somos a lição um do outro nesta vida, contudo, tenho dúvidas que tenha aprendido o suficiente para não te voltar a encontrar.

Sinto que foi contigo que aprendi a amar mas também a deixar ir, e mesmo depois de me despedir de ti, estou certa que a vida me colocou à prova para ver o quanto me posso amar a mim mesma. Como já referi, mostrei-te o teu sonho pelos meus olhos, tentei vivê-lo ainda que nunca da mesma forma que tu o farias. No entanto, agora mostro-te o meu sonho, desde que me lembro e desde que me conheceste. Sempre disseste que eu era mimada e conseguia tudo na vida, mas no fundo sabias o quanto eu luto por tudo aquilo que pretendo atingir. E eu sei, meu anjo, o tamanho orgulho que sentias por eu ser a força que sou perante as adversidades da vida. Espero que continues orgulhoso de mim, como quando me olhavas e me pedias para não desistir. Quero que saibas que, apesar de ter deixado o teu sonho para trás, estou a seguir o meu. E estou certa que no dia que me visitaste, num daqueles nossos encontros noturnos, me agradeceste por te manter vivo e me pediste para não me deixar morrer no processo. Como dona da teimosia que reina sem olhar para os lados, não quis desistir de ti e, enquanto eu viver, não o farei, no entanto, sempre foste o meu porto de abrigo e rosa dos ventos, e não te poderia desiludir.

Não estou magoada contigo, nem com a minha decisão. Coloquei a armadura, a capa de super heroína, parei o tempo, estalei os dedos e não mais me reconheço. Cresci tanto neste processo em que me foquei apenas em mim, tal e qual egocêntrica que não vê além de si mesma, que não mais quero voltar atrás. Estou-te grata, meu amor, por seres o anjo que me visita e me indica o caminho, que não só me desvia os obstáculos como também me desafia para ter a certeza que a minha força é inabalável. Não voltei a amar. E, talvez, o tanto que me foco em mim, seja a razão. Quero e vou-te amar para sempre. Estás num patamar inatingível como te disse antes. Mas foste a minha lição para crescer. Foste quem veio, me deu tudo e me deixou sem chão. Sabes, às vezes, só às vezes, sinto falta de alguém a meu lado, que venha para ficar e me faça sentir como tu fazias. No entanto, sei que não o posso pedir quando eu mesma não permito abrir o cadeado que a vida colocou ao redor do meu coração. Sim, meu anjo, o gelo derreteu, a pedra partiu, mas o cadeado foi ficando. Talvez me tenha deixado mais doce para com a vida, mais sensível para com o mundo, mas não me permitiu voltar a amar. Para ser sincera, compreendo que assim seja. Dediquei-me a construir um futuro que poucos compreendem e não vou permitir que ninguém me desvie do caminho, da mesma forma que não é justo pedir a alguém que mova montanhas por mim. Egocêntrica um pouco, egoísta sabes que nunca o serei. Muito menos irei perder a empatia que me caracteriza.

Entendo a vida de uma forma tão diferente e tão minha depois de todos estes anos. Tiraste-me o chão, vezes sem conta até eu decidir que queria um chão só meu. E, mesmo assim, a vida obrigou-me a ter asas para sobreviver. Fui passarinho de gaiola durante muito tempo, presa a memórias e vivências, com objetivos que me impediam de ser eu mesma. E agora, meu anjo, sei que és o meu anjo, porque no dia em que me visitaste, também me abriste a gaiola e me obrigaste a usar as asas enferrujadas pela poeira e a voar. Abriste-me a porta para o mundo e disseste-me que estarias a meu lado ainda assim, a voar junto a mim. E, nesse dia, eu decidi voar. E soube tão bem. Sinto-me tão plena, meu amor. Sinto-me a conquistar a minha essência a cada dia e a batalhar por um futuro que me caracteriza ao detalhe. Sinto-me uma flor na sua primeira primavera, que sobreviveu aos invernos mais sombrios, que desistiu de ser uma semente sem rumo para ganhar raízes fortes que a farão encarar tudo o que estará por vir.

Já não suplico pela tua presença, porque sei que estarás a meu lado nas minhas grandes conquistas para me aplaudires de pé. Já não te chamo quando o medo do escuro me atormenta, porque estou segura que estás diante de mim a lutar contra os demónios que teimam em travar-me. Estamos tão distantes quanto o céu e o mar, mas confio que estás a lutar comigo tal e qual os raios de sol quando tocam as ondas cintilantes. É difícil voltar a escrever para ti quando passou tanto tempo, meu amor. Mas hoje é especial. Hoje faz parte do meu recomeço de há uns meses (talvez seja um recomeço 2.0?). Hoje é o teu dia e o céu está em festa, consigo ver as estrelas a dançar e uma em particular que brilha mais que todas as outras, que estou segura que serás tu. A estrela mais brilhante e mais bonita. Não apenas hoje, mas sempre. Hoje é o nosso reencontro neste cantinho. Se tiveres um momento (que eu sei o quão trabalhoso é estar a meu lado), visita-me. A última vez que nos encontramos tomei as decisões mais importantes que me fizeram recomeçar. Mas não precisa de ser sempre assim. Podes visitar-me apenas para me dizeres como estás. Podes dizer-me o quão difícil é lidar comigo nessa tua perspectiva. Por favor, só te peço que, ao meu visitares, me dês um abraço daqueles bem longos que sei que me confortará por meses. Prometo ficar feliz, contudo, não prometo não chorar. As saudades do teu toque assombram-me e saber que, mesmo que em sonhos, te posso sentir, deixa-me inquieta.

Mesmo que seja um placebo, há dias que só gostava de sentir o teu beijo na minha testa, de ver e ouvir o teu sorriso, mas acima de tudo, de sentir o conforto dos teus braços. Se não for pedir muito, volta. Uma noite destas, volta. Liberta em mim a quantidade de serotonina necessária para mais uns meses de lutas, apazigua os meus medos, e dá-em forças para continuar neste meu recomeço. Reencontra-me e fica a meu lado para (re)começar novas batalhas. Mas, acima de tudo, não me abandones. Posso ter deixado o teu sonho de lado para viver o meu, mas tu estarás, para sempre, em mim tal e qual as nossas tatuagens na minha pele. Meu anjo, poderia continuar a escrever-te por uma eternidade e mais um pouco, mas não te ocupo mais tempo. Estejas onde estiveres, estou orgulhosa de ti. Muitos parabéns, meu amor. Amo-te, para sempre.